JBarroso – Crucial na distribuição de oxigénio no pico da pandemia

A empresa Transportes Rodoviários JBarroso é responsável pela distribuição do oxigénio da Air Liquide em Portugal, um bem precioso principalmente durante o pico da pandemia de Covid-19.

Para demonstrar a importância do oxigénio (grosso modo) utilizamos a “regra dos três-três”. Um ser humano consegue sobreviver três semanas sem comida, três dias sem água, e três minutos sem oxigénio. De um momento para o outro, o oxigénio tornou-se vital e crítico para a sobrevivência de milhares de doentes infetados por Covid-19 em todo o mundo. Portugal não foi exceção.

A Revista Automotive deslocou-se até Alenquer para entrevistar Miguel Barroso, administrador da JBarroso, que nos conta como geriram este serviço vital para toda a nossa sociedade, bem como as diversas atividades da sua empresa que conta com mais de 30 anos de atuação no mercado nacional.

 

 

Servir os hospitais com oxigénio

Miguel Barroso explica-nos que “a nossa empresa convive há décadas com planos de emergência. A gripe das aves, por exemplo, trouxe-nos o primeiro ensaio deste contexto pandémico e, portanto, habituamo-nos a conviver com os planos de emergência neste setor.

Não é que tivéssemos tudo preparado para o Covid-19, mas a partir do momento em que as coisas começaram a acontecer, fomos capazes de implementar ações de urgência, com equipas muito bem preparadas e treinadas. É nas horas mais difíceis que se testam as estruturas, as pessoas e os investimentos feitos.

Além de Portugal, já tínhamos a distribuição de oxigénio na zona da Galiza (norte de Espanha) e inclusive apoiamos o nosso parceiro Air Liquide na região de Madrid, quando os hospitais atingiram o momento mais crítico de internamentos.

A nossa filosofia é servir de forma competente e com toda a segurança, valorizando o nosso maior bem, que são as pessoas. Os motoristas tiveram uma atitude vencedora com o Covid-19, conseguindo superar o medo, porque todos desconhecíamos este vírus. Era apresentado como algo mortífero e altamente contagioso. Tiveram uma reação de missão e de luta.

Enquanto JBarroso comprámos logo máscaras, luvas e álcool gel a preços exorbitantes. Mas não estavam em causa os custos, e sim a segurança das pessoas e da operação. O valor mais alto que se levantava era servir os hospitais com oxigénio, em último caso, para salvar vidas.

Com o investimento que fizemos, com as medidas preventivas que adotámos e com o comprometimento de todos, mas mesmo de todos os funcionários, felizmente não tivemos nenhum surto de Covid-19. Fomos extremamente rigorosos, e assim conseguimos atingir os objetivos” refere.

 

 

 

 

Auxílio a uma empresa concorrente

A Revista Automotive sabe que a JBarroso ajudou, inclusive, uma transportadora nacional na distribuição de oxigénio. No pico da pandemia em 2020, essa empresa viu-se a braços com a falta de camiões no mercado para distribuir oxigénio e a JBarroso forneceu os camiões necessários. Segundo essa empresa, “sem a ajuda da JBarroso a marca iria falhar com as entregas de oxigénio e a nossa empresa de transportes teria sérias dificuldades”.

Sobre este tema, que certamente ficará marcado na história, Miguel Barroso recusa o protagonismo e comenta sucintamente que “a forma com que esse tema nos chegou e como os responsáveis daquela transportadora nos expuseram a questão, não tínhamos razões para recusar. Trata-se de uma empresa de transportes idónea e foi acautelado que essa ajuda não iria prejudicar a relação com o nosso cliente Air Liquide, a nossa empresa, nem mesmos os nossos colaboradores. Ontem foram eles que precisaram, amanhã poderá ser a nossa empresa a necessitar de ajuda”.

 

 

 

Matérias perigosas é o core business

Além da distribuição de oxigénio, Miguel Barroso enquadra-nos quanto às demais atividades da sua empresa. “A JBarroso faz o transporte de Combustíveis Líquidos (Gasóleo e Gasolina) e Gasosos (GNL e GPL), Gases Industriais e Medicinais, e Produtos Químicos (Acido Sulfúrico, Soda Caustica e Clorato de Sódio). Estamos acreditados para também realizarmos o transporte de Explosivos e Resíduos Líquidos a Granel.

Trabalhamos assim com setores fulcrais para a economia do país, por isso temos um sentimento constante de missão e de vencer as adversidades, como ficou comprovado no ano de 2020. Por exemplo, no combustível de aviação (JET A-1) tivemos uma queda abrupta de transportes, na ordem dos 70% no ano passado, em virtude da pandemia.

No caso da gasolina e do gasóleo rodoviário, realizamos uma grande distribuição para o Grupo Alves Bandeira, o que significa um abastecimento fora dos grandes centros urbanos e muito ligado às empresas de transportes, pelo que a quebra, durante os meses mais críticos de 2020, não foi acentuada.

Com a pandemia, mais pessoas ficaram em casa e o fornecimento de gás foi primordial para o aquecimento das mesmas, bem como para os refeitórios dos hospitais que aumentaram muito as atividades. O país tinha de continuar a funcionar, os serviços de saúde não poderiam parar, nem o setor do transporte de mercadorias, responsável pela movimentação dos bens essenciais à nossa sociedade.

 

 

Rapidez de adaptação exige investimento

No setor dos transportes, principalmente nos pesados, a rapidez de adaptação é algo que tem que ser trabalhado com antecedência. Utilizamos camiões, semirreboques e equipamentos de transporte específicos, que não se encontram rapidamente no mercado.

A rapidez de adaptação implica em investimentos contínuos em equipamentos e instalações que permitam uma margem de manobra de segurança, mas que não comprometam financeiramente a empresa. Daí que a nossa experiência de mais de três décadas no mercado, permite disponibilizarmos um serviço profissional, seguro, flexível e com rapidez de adaptação.

O nosso setor tem exigências legais específicas, mas sempre procuramos ir para além disso, num investimento contínuo em formação dos nossos colaboradores. As pessoas fazem a diferença nas empresas e nos serviços.

É por este motivo que, apesar das oscilações da economia e da sociedade, mantemos praticamente a mesma estrutura na JBarroso, com cerca de 160 colaboradores, na sua maioria motoristas. É uma profissão muito exposta ao risco, quer seja na circulação, quer na movimentação de determinada tipologia de produtos que transportamos.

 

 

Renovações de frota e manutenção

Na JBarroso contamos com uma frota com cerca de 130 camiões, alcançámos uma faturação de 11,5 milhões de euros e registamos 10 milhões de quilómetros percorridos, anualmente. Em termos de camiões, temos uma frota diversificada, e estamos a renovar este ano com alguns modelos das marcas Iveco, DAF, MAN, Renault Trucks e Volvo.

Nos camiões, o que conta fundamentalmente é a fiabilidade, os consumos e o serviço pós-venda da marca. Por isso, temos investido mais em Iveco e DAF, mas sempre numa ótica de diversificação. Atualmente, cerca de 50% da nossa frota é composta por camiões rígidos.

Quanto às cisternas temos recorrido aos fabricantes espanhóis, franceses e ingleses, principalmente nas cisternas criogénicas. Nesse campo, os espanhóis têm tido bastante qualidade, capacidade de resposta e elevado grau de desenvolvimento tecnológico.

 

 

Hoje, um semirreboque de transporte de produto criogénico ronda os 500.000 euros. As cisternas de gás natural com parede dupla e vácuo está nos 300.000 euros. É uma atividade que necessita de um investimento intensivo. No âmbito dos gases industriais e medicinais, gostaria de referir que é o nosso parceiro, Air Liquide o detentor das cisternas que utilizamos.

Dispomos de uma estrutura de manutenção própria, mas temos privilegiado a manutenção contratada com as marcas no que diz respeito às unidades tratoras mais recentes. Mantemos a estrutura de manutenção para as cisternas e reservatórios. Contamos com uma assistência própria, disponível 24h, e diversos equipamentos rodoviários para cumprirmos com os planos de emergência rodoviária. Trabalhar neste setor é bastante exigente, pois necessitamos de manter uma estrutura e equipamentos funcionais e seguros, o que os tornam muito onerosos.

 

 

Futuro

Nos últimos anos tivemos a possibilidade de adquirir empresas deste setor, e assim crescer mais rapidamente, através de incorporações. Mas teriam sido ações que, mais à frente, poderiam revelar-se prejudiciais para a nossa empresa. Preferimos crescer de forma orgânica e sustentada. No entanto, acredito que o futuro traga algumas concentrações no setor para melhorar a eficiência de algumas operações e trazer alguma margem. As margens neste setor são bastante controladas e diminutas, por isso é preciso saber gerir com o pouco que se tem e investir os recursos da melhor forma.

Quanto às matérias transportadas, o gás natural tem vindo a crescer por força da indústria, e principalmente pelo transporte rodoviário pesado. Temos 10 tratores a operar a gás natural. O gás natural irá conquistar o seu espaço nos transportes rodoviários, e poderá aumentar a sua importância no mercado, quando os navios em geral começarem a ter motores a gás natural.

Temos consciência de que o hidrogénio virá para ficar. Resta saber qual o seu espaço e a que ritmo irá crescer. O hidrogénio tem características similares a outros produtos que já transportamos, por isso temos capacidade de resposta para esse combustível. Estamos a acompanhar as evoluções que os nossos clientes também têm feito nessa área. Acredito que o hidrogénio terá, como qualquer energia nova, uma maior ou menor alavancagem dependendo dos subsídios do governo e dos interesses económicos.

 

 

Ao longo de mais de 30 anos no mercado, temos conquistado um know-how importante no transporte de matérias perigosas, conhecimento esse que estamos a exportar, como é o caso recente da formação que estamos a ministrar em Cabo Verde, para um dos nossos parceiros.

Assim, independentemente de o futuro trazer mais ou menos relevância a determinadas matérias perigosas, a empresa JBarroso irá manter a sua filosofia de servir o país, de forma competente, com segurança, e sempre valorizando as pessoas.

Para finalizar, e aproveitando o momento, destaco que recentemente realizamos o rebranding da JBarroso e o slogan “transportamos energia” tem agora um duplo sentido: o transporte rodoviário de energias, mas também o fato de transportarmos uma atitude positiva e enérgica perante os desafios do nosso setor e da nossa sociedade, concluiu o empresário Miguel Barroso.